Por Carlos Pessoa de Aquino
Seu luto de toda vida estará para sempre incrustado na Minh'alma triste inesquecível tribuno, oráculo, referencia de todo o tempo. Inicio meu pranto com o poema FUNERAL BLUES de W.H. Auden
"Parem os relógios
Cortem o telefone
Impeçam o cão de latir
Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
Venham os pranteadores
Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:
“ Ele está morto “
Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
Usem os policiais luvas pretas de algodão
Ele era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
Minha semana de trabalho e meu domingo
Meu meio-dia, minha meia-noite.
Minha conversa, minha canção.
Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora, dispensem todas.
Embrulhem a lua e desmantelem o sol
Despejem o oceano e varram o bosque
Pois nada mais agora pode servir."
Vital, o jurista impecável, o humanista ressocializador dos presos, intelectual fecundo de centelha divina, o advogado corajoso, inconformado com as injustiças, defensor das liberdades, o parlamentar e o tribuno, o amigo de toda uma vida, o beijo de toda vez, na augusta fronte, Sempre.
Em vida, você foi aquele que soube com altivez, humildade e sabedoria, enfrentar as oposições da injustiça e da ingratidão que foram, por um tempo, suas impiedosas, desumanas e traiçoeiras companhias! Todavia você nunca deixou de acreditar nos seus ideais e crer na vida, de engrandecê-la pela decência, de construí-la pelo trabalho.
Sim, eu sei por Deus como sei de sua devoção, de suas reclusões no Mosteiro para suas orações e reflexões, pois também sou sabedor da sua absoluta convicção e confiança em Deus que o acolherá com seu manto sagrado ao seu lado como humilde devoto ao lado dos seus amados e inesquecíveis pais.
Lembro-me certa feita que você me entregou a carta da sua querida mãezinha, a poetisa Vicentina Figueiredo Vital do Rêgo, madrinha da sua colação de grau, a dedicar-lhe na ocasião solene, um soneto que é muito mais uma ode, uma prece, um canto de louvor a Deus como a vaticinar sua trajetória profissional plena, robusta, transbordante de talento e de êxito. Não poderia ser do contrário, pois o “Major” e a poetisa o prepararam para a vida e para a luta, pois o casal colheu nos seus corações ramos de jasmim que te ofertaram com a pureza e singeleza intraduzível, própria dos pais, pois sua inesquecível mãezinha assim expressou-se... “Prá família és um anjo tutelar... aos amigos inspiras confiança... brilhantes raros, pedras preciosas dos jardins as mais bonitas rosas desejei até estrelas para te dar”. É a oferenda advinda do amalgama a sedimentar o amor materno, divino, sagrado, abençoado.
Pois é querido Vital, o “Tonito” de antanho vivificado e eternizado nas palavras santas dos seus, naquele memorável dia vinte de dezembro de 1958 até os tempos hodiernos, do homem de raríssimos atributos tribunícios, privilegiado com a vocação inarredável à advocacia, o lente perpetuado nas aulas memoráveis, o Bâtonnier corajoso em defesa das liberdades e de muitas lutas.
Vi-me, como toda vida, me inspirando na sua infindável inteligência, na sua centelha divina, na sua oratória Cicerista, Demostênica, com seu estilo e eloqüência próprios. Você construiu uma história de vida permeada pela ética, cultura, sensibilidade, solidariedade, respeito, integridade e fraternidade características próprias e nítidas na sua personalidade. Ah! Vital, nas suas lições do passado traçou um roteiro para o futuro como exemplo de homem público que se somara a outros que conjuntamente fizeram a querida Campina sempre GRANDE.
Pois bem Vital, não tenho mais como continuar, digo que estarei aqui, encerrado nas minhas atribulações nos limites dos meus desafios, onde permanecerei profundamente subtraído da sua permanente presença, entretanto continuarei a proclamar seu valor, reconhecer a imensidão dos seus gestos, a magnitude de suas realizações, mui especialmente o exemplo que você foi, sério, correto, leal e cristão, valores que nos deixa como legado perpetuo.
Um pranteado beijo de despedida, na sua fronte augusta, com a gratidão eterna, daqueles que aprenderam a amá-lo por todo o sempre, agora distantes porém permanentemente próximos e presentes em espírito e em saudade. LAUS DEO OMNIPOTENTI !
Carlos Aquino o devoto, a menina Márcia e o príncipe Carlos Henrique.
Não sei
Não sei... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar.
Cora Coralina
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