Pimenta do Reino
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Pobre também ‘avôa’
Publicado por @hermes em 08/09/2011 às 11:24 amPor Ramalho Leite*
A democratização da venda de passagens aéreas tem feito a festa de uma faixa da população que sempre utilizou o transporte terrestre. Promoções via internet garantem o acesso de quem olhava para um avião como quem olha o céu no desejo de alcançar uma graça.Não precisa o IBGE para se constatar que agora pobre também “avôa”…
Nunca na história deste País se viajou tanto de avião, diria Lula, chamando para sua sardinha a preferência dos mais pobres pela condução a jato. Para ele foi o surgimento de uma nova classe média, recheada por distribuição de renda mais justa, que proporcionou status de viajante aéreo aos assalariados. As facilidades creditícias reservam poltronas para quem sempre sofreu mais de três dias para alcançar o sul maravilha.
Uma tarde dessas aguardava a chegada de um vôo no Castro Pinto e me assustei quando vi uma multidão se deslocar para a vidraça da estação de passageiros. Parecia a chegada do trem com os passageiros subindo a Barão de Triunfo em direção ao Ponto Cem Reis. Corri também. Era uma aeronave que pousava e todos queriam assistir à descida dos parentes.Foi uma festa.
Antigamente avião era coisa de gente sofisticada. A indumentária do homem era o paletó e a gravata. A mulher escolhia seu melhor traje para viajar. Agora, nem os Congressistas que pegam avião na terça pela manhã para iniciar sua semana de três dias em Brasília botam uma gravata. Vestem a roupa protocolar em seus gabinetes, pois, nos dias atuais, não é muito conveniente que sejam identificados entre gente comum. Usar o broche da Casa a que servem, nem pensar…
Está no avião? Pode olhar de lado que você vai encontrar na poltrona vizinha gente de bermuda e de sandálias. Felizmente foi proibido fumar, pois cigarro de palha é um bicho muito fedorento desde os tempos de Ageu de Castro, deputado de Pombal e usuário de um pé-de-fumo dos fortes. Conta-se que, o condutor de um ônibus o advertiu e lhe mostrou uma placa que dizia ser proibido fumar cigarro de palha, ao que, retrucou:
-Se fosse para obedecer a placa, eu vinha tomando Coca-cola desde Pombal…
O certo é que a viagem de avião banalizou-se. Com pouco dinheiro e nome limpo no Serasa se viaja o mundo todo por poucos dias e muitos meses para pagar. Já se inventou até um pacote para idosos fazer turismo, relaxar e gozar… Ninguém se admire se em breve forem reservadas poltronas para os beneficiários do bolsa- família. Afinal, esse é um País de todos…
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*Advogado, escritor, ex-deputado estadual e superintendente de A União
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Novo estilo
Publicado por @hermes em 31/08/2011 às 11:06 amRamalho Leite*
Quando cheguei ao Sesc de Guarabira e me deparei com os prefeitos da oposição e da situação, em um mesmo evento, fosse eu um estranho pensaria que se tratava de uma reunião da Justiça Eleitoral. Todavia, a convocação fora feita pelo Governo do Estado para que os prefeitos assinassem os convênios selecionados pelo Pacto da Solidariedade na área da educação e da saúde. A alegria estampada no rosto dos edis revelava o entusiasmo de todos pela participação no montante de quase cinqüenta milhões colocado à disposição dos municípios, independentemente de cor partidária.
Novas salas de aulas a serem construídas e inúmeras reformadas, hospitais melhorados fisicamente e em equipamentos, foram projetos contemplados pelo Estado nesse nascente regime de parceria. O Estado dá o dinheiro, o Município melhora os índices sociais. A contrapartida, negociada caso a caso, envolve desde a diminuição do numero de analfabetos à redução da mortalidade infantil e, ainda, o incremento das matrículas de crianças nas creches e no ensino infantil.
Quem chegou à mesa de negociação não foi trazido pelo número de votos, pela legenda partidária ou por influência de amizade palaciana. Um edital foi baixado e quem preencheu as condições estabelecidas, foi aprovado. Quem não acreditou, por razões meramente políticas, ficou de fora e prejudicou a própria cidade e seus munícipes.Sem dúvida a Paraíba vive novo estilo administrativo.Quem estranhar, não pode, porém, reclamar. Tudo que está sendo feito foi amplamente anunciado em palanque.Quem se surpreende é porque pensava que o prometido não haveria de ser cumprido.
Há bem pouco tempo lembro que Bananeiras, premiado pelo Unicef pela segunda vez com o selo de Município Aprovado, recebeu do Governo do Estado uma ambulância de presente, pela conquista da comenda, fato que ocorreu com outros vinte municípios. O convênio foi assinado e publicado mas não foi honrado,mesmo com recurso à Justiça, pois mudara o “inquilino” do Palácio.Ainda por se socorrer da Justiça, o Município evitou que fossem retiradas as máquinas de costura que servem a mães do Bolsa Família que, ao constituírem renda própria, são capacitadas a deixar o programa federal.
As centenas de ônibus que desfilaram nesta capital e destinadas ao transporte escolar, contemplaram até duplamente algumas cidades, mas nenhum chegou a Bananeiras, apenas por que a prefeita não rezava pela cartilha do Palácio. Uma ordem firmada pelo próprio governador foi dada ao deputado Tiao Gomes, em vão.O fato do município ter dois terços da sua população na zona rural e transportar cerca de dois mil e quinhentos alunos diariamente para as salas de aulas localizadas na sua sede, e nos distritos, de nada adiantou.
Dentro do estilo de chamamento por edital para apresentação de projetos, agora adotado na Paraiba, Bananeiras adquiriu do Governo Federal três novos ônibus escolares e cerca de mil e quinhentas carteiras e mesas para professor. Duas unidades de saúde serão construídas, uma cozinha comunitária, uma nova creche para 220 crianças beneficiando áreas de assentamento rural e uma estação de inclusão digital – só para lembrar ações em andamento. Não custa recordar que o deputado sufragado pela prefeita é da oposição e o seu senador foi depurado. Até o presente não assumiu o mandato.
Encontrei também no evento, prefeitos que em passado recente foram obrigados a devolver ambulâncias que estavam cedidas pelo Estado e que, mudando a orientação partidária do Governo do Estado, passaram à oposição, a exemplo de Serraria.
No brejo, o novo estilo de transferir recursos aos municípios contemplou Solânea, Belém, Borborema, Cacimba de Dentro e outros de filiação oposicionista.Conversei com todos e pude sentir que a satisfação pela assinatura de convênios carregava também uma grande surpresa. Nunca pensaram que o beneficio chegaria aos seus munícipes, apesar de sua declarada posição política. Voltaram para casa com a certeza de que a Paraíba está mudando.________
*O autor foi deputado federal, é escritor, advogado e atual superintendente de A União
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