Pimenta do Reino

  • Ganhos e perdas

    Publicado por @hermes em 27/12/2011 às 15:27 pm

    Por RAMALHO LEITE*

    Comecei o ano recebendo a missão de dirigir este periódico. Inscrever meu nome entre tantos ilustres paraibanos que por aqui passaram ao longo dos seus 118 anos de existência, me envaideceu. Em 02 de fevereiro,  o jornal voltou ao formato stand, encerrando sua  vegetativa vida de tablóide. Duas semanas depois, minha mãe, que há algum tempo vivia sob cuidados médicos, nos deixou. Começou aí a minha velhice. Perdi a única pessoa que me chamava de menino.

    A vida, sem dúvida, é feita de ganhos e perdas. Quando pensava em encerrar o ano sem outras dores a acrescentar, me despeço do único irmão. Dizem que os pais quando batizam filhos com nomes de santos, a estes oferecem suas vidas. Meu nome nasceu de uma promessa a São Severino do Ramo. Meu irmão foi dedicado a Santo Antonio. Antonio Carlos era o seu nome, talvez uma conciliação entre a escolha do pai e a preferência da mãe.

    Era uma pessoa alegre. Nunca cogitou fazer o mal a alguém. Inexplicavelmente, foi escolhido para passar por acidentes de percurso que não merecia. Aos dezoito anos, submeteu-se a uma cirurgia complicada que lhe tomou parte do intestino. Nem fumava e nem bebia mas ganhou três úlceras inesperadas à entrada do duodeno. Poucos meses depois, volta à sala de cirurgia para extirpar o apêndice que infeccionara. Foi atropelado quando passava entre dois veículos estacionados… Se não bastasse, um noivado de dez anos transformado em casamento se encerra no nascimento do primeiro filho. Perde a esposa em uma época em que não se morria mais de parto.

    Estava com a vida re-organizada.Novamente casado, mais dois filhos, Promotor de Justiça na Comarca de Souza, professor na sua nascente Faculdade de Direito, tirou alguns dias de licença para tratamento de saúde. No quintal de casa, subiu em uma escada para acessar a um pé de côco. A escada desmanchou-se e ele fraturou  a coluna. Permaneceu com um colete ortopédico por algum tempo. Ao retirar o colete, a vértebra trincada se desloca e secciona a medula. Paraplégico desde então.

    Mesmo em cadeira de rodas cumpria sua rotina na Vara de Mangabeira.  Tive a satisfação de ouvir depoimentos elogiosos de juízes e advogados sobre sua atividade ministerial. Muitos dos seus colegas promotores compareceram para lhe prestar a ultima homenagem. Aposentado, restauram-lhe  alguns anos para acompanhar a vida dos  filhos. Sob os cuidados de uma Unidade de Terapia Intensiva, ainda ouviu da filha Fernanda relato sobre sua monografia final do curso de direito.Com dificuldade, recomendou que estudasse para o exame da Ordem.

    Na véspera do Natal recebeu a mulher e os filhos na UTI. No dia do nascimento do menino Jesus, sua alma foi levada a Deus como um presente de Natal.

    _____

    *Ex-deputado federal, escritor, advogado e superintendente de A União

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  • O mentiroso e seu legado

    Publicado por @hermes em 20/12/2011 às 21:05 pm

    Por Aucélio Gusmão*

    O mentiroso é alguém que quebra deliberadamente as regras para enganar outrem. A desonestidade é algo difícil de se lidar no ambiente de trabalho, e as pessoas que se valem dela são as mais problemáticas.
     
    A falta de critério e correção no que fala e no que pratica causa complicações em diversos níveis. No ranking dos funcionários honestos e cumpridores de normas, o mentiroso é o último colocado na lista de credibilidade. Desperdiçam seu tempo, dos outros, além de recursos da organização.
     
    A pessoa mentirosa tem um problema ético. Ora adota um comportamento antiético porque esse é o caminho mais fácil para obter o que quer na sua visão. Imagina escapar impune, então pensa: Passar a perna em alguém, o torna esperto? Por que não? O que importa é ganhar.
     
    Quem tem razão para viver, traz consigo também uma extraordinária capacidade de suportar pressão e reagir.
     
    Para certas pessoas, a habitualidade de tirar proveito de algo de outras, usando meios questionáveis, é a verdadeira essência do poder. Esquecem sobremaneira de que a mais bela arte, grandiosa, é a gratidão. Quando sentimos que fizemos algo pelo semelhante, tomamos consciência do nosso valor.
     
    Ninguém é mais pobre do que aqueles que nada oferecem ou acrescentam. Estas pobres criaturas se contrapõem a nós por nossas virtudes, possivelmente por não serem portadoras de valores que ensejam competir.
     
    O contrário da bondade não é o ódio. Quem parece nos detestar, nutre, no fundo, uma admiração oculta, momento em que exibe uma violenta inveja, que funciona da mesma maneira. A fúria do invejoso sempre se direciona para um êxito. O que não nos mata, nos fortalece. Não adianta. Quem tem razão para viver, traz consigo também uma extraordinária capacidade de suportar pressão e reagir.
     
    Ao invés de se opor a uma força contrária – o que acabaria dobrando a força do impacto -, as leis do universo recomendam usá-la em seu favor. É o que faz o lutador de judô: acolhe o golpe do oponente e canaliza em seu próprio benefício.
     
    No cotidiano, a sugestão que se faz é: não discutir quando os nervos estão à flor da pele; tentar modificar a opinião do possessivo; enviar e-mail após ter se desentendido com alguém, cinco minutos após; e, finalmente, querer ganhar a amizade de quem já demonstrou não gostar de você.
     
    Gabriel Garcia de Oro contou uma história bem interessante: um homem vivia ao lado de uma estrada, onde vendia rosquinhas. O negócio prosperou tanto que já não havia tempo para ler jornais, revistas, ver televisão. Os lucros aumentavam e ele já investia, pasmem, até em publicidade. No verão recebe a visita de um filho que cursava a universidade o qual ao ver tanta prosperidade advertiu o pai: estamos vivendo uma grande crise, é bom cortar custos.
     
    O pai acreditou, passou a investir menos, diminuiu gastos, diminuiu funcionários e cortou a publicidade. As vendas caíram, os clientes foram se afastando, o negócio entrou no vermelho, passou a “viver uma grande crise”. Esta é uma grande verdade vivenciada em muitas empresas. Seguir conselhos de quem não guarda competência nem visão do negócio.
     
    Fica a advertência: “quem deseja aprender a voar, deve primeiro aprender a caminhar, correr, escalar, nadar e dançar”.
     
    Não se aprende a voar voando!
     
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    *Médico e presidente da UnimedJP

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