Pimenta do Reino

  • Encontro com Itamar

    Publicado por @hermes em 13/07/2011 às 12:19 pm

    Por RAMALHO LEITE*

    Decorria o mês de agosto do ano de 1993 do século passado e Itamar Franco era o Presidente do Brasil após o impedimento de Collor. Ontem como hoje, deputados e senadores sempre procuram o Chefe da Nação para se queixar de desprestígio mais do que para reivindicar investimentos públicos nos seus  Estados. Por ambas as razoes a bancada paraibana, excetuando-se os pmdebistas, lograram uma audiência com o Presidente.

    Sob o comando do Senador Raimundo Lira fomos todos: Adauto Pereira, Evaldo Gonçalves, Rivaldo Medeiros, Efraim Morais e eu, que assumira no lugar de Ivan Burity. Alguns cargos ocupados por indicação do pefelê, hoje DEM, estavam sendo substituídos por gente do PMDB via Senador Humberto Lucena à época Presidente do Senado e sempre com muito prestígio. Eu já contei essa história mas não custa repetir, diante da partida do ex-presidente.

    Ouvidas com paciência as reclamações dos presentes, o presidente indagou como poderia compensar as nossas perdas. Foi por conta dessa indagação presidencial que eu saí do Palácio do Planalto praticamente nomeado Diretor do Banco do Nordeste,  já que minha permanência na Câmara Federal tinha prazo curto e se encerrava naquele mês de agosto.

    Mas o que me marcou no encontro com o Presidente e traduziu uma avaliação da sua simplicidade foi outro fato. Todos se sentaram nas cadeiras disponíveis. Sendo eu o mais humilde dos presentes, até por que era deputado na condição de suplente, deixei  que todos se sentassem e fiquei em pé, pois a única poltrona que restava era a do Presidente.

    Vendo-me em pé, mais que depressa o Presidente Itamar voltou à sua mesa onde existiam duas cadeiras e pegando uma  delas veio conduzindo-a para que eu me sentasse. Vendo esse gesto de fidalguia e naturalidade, corri  e atalhei sua ação, tomando-lhe a cadeira e eu mesmo cuidando da minha acomodação.

    Esse gesto assinalou para mim a personalidade desse mineiro nascido a bordo de um navio, que  navegando sempre em águas tranqüilas, muitas vezes provocou tempestades. Ao lembrar Itamar Franco  o faço com carinho, menos pela nomeação que me fez e mais pelo gesto de desafetação tão incomum em outros  ocupantes da mesma  cadeira presidencial.Que Deus lhe destine um bom lugar.

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    *Superintendente de A União, ex-deputado estadual, advogado e escritor

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  • O banco do Severino

    Publicado por @hermes em 08/07/2011 às 9:10 am

    Por Ramalho Leite*

    O Banco da Renata, do Antonio e da Maria é também o Banco do Severino. Pelo menos é o que diz a propaganda do Banco do Brasil. Vai ver que foi por isso, já naquele tempo, que Lampião, o Rei do Cangaço, ao entrar em uma agencia do banco para assaltá-lo, indagou de um gerente tremendo mais que vara verde:

    -Aqui é o Banco do Brasil? O Banco de todos os brasileiros? Pois eu vim buscar a minha parte…
    Na semana que passou levei três dias tentando tirar do banco a minha parte, ali depositada legalmente pelo  Tesouro do Estado.Antes, por duas vezes, já fora vítima de ataques dos ratos virtuais que levaram dinheiro da minha conta para a deles.O dinheiro me devolveram logo, mas o que sofri para regularizar novamente meu acesso à internet merece registro. Nas muitas viagens que dei à minha agencia não encontrei quem soubesse fazer o serviço ou, se o fazia, era incompleto, o que me obrigava a voltar  para concluir a tarefa. Até que um gerente mais atento me ouviu e restaurou minha ligação virtual com o banco fixando meus limites operacionais. As transferências e pagamentos acima disso, tornam impossível a operação.

    Por isso levei três dias para pagar uma conta acima do meu limite. Poder-se-ía perguntar: e por que não passou um cheque? Isso, meus amigos se eu o tivesse. Mas o meu banco se nega a me dar um talão de cheques desde que o governo abriu uma conta para depositar meus proventos. E por que não tenho cheques? Vou explicar: em 1996 quando saí  da Secretaria de Administração da Prefeitura de João Pessoa deixei inativa uma conta onde eram creditados meus subsídios de secretário e fiquei com um débito de cheque especial que nem tinha conhecimento.Chamado a pagar, o banco me concedeu um desconto nos juros, dentro das suas normas de negociação.Decorridos quinze anos, devido a esse acerto que me propuseram e aceitei pagando na forma acordada, virei ficha suja no Banco do Brasil, sem direito a talão de cheques. Resta-me, portanto, o internet banking ou a boca do caixa.

    Busquei enfrentar as quilométricas filas para entrar na agencia e adquirir uma ficha de atendimento.Mesmo usando o estatuto do idoso, a tarefa se projetava por um longo dia de serviço.Como todo esforço tem sempre uma compensação, encontrei um gerente de muita boa vontade e com paciência para me ouvir e, finalmente, em Cruz das Armas, consegui liquidar meu debito. Foi a primeira vez que tive dificuldade em pagar uma conta tendo excesso de fundos…

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    *Ex-deputado estadual, escritor, advogado, superintendente de A União

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